O governo está comemorando o avanço do número de matrículas no ensino superior. Tenho minhas reservas se esse número, que chega a 6,5 milhões de universitários, é realmente um avanço representativo para a educação brasileira. Incluem-se cerca de 175 mil em curso de pós graduação. Outros dados do governo federal informam que o Brasil tem taxa bruta de escolarização (relação percentual entre o número total de alunos matriculados num determinado ciclo de estudos, independentemente da idade, e a população residente em idade normal de frequência desse ciclo de estudo) em torno de 34,4% de escolaridade, ou seja, universitários de todas as faixas etárias sendo que, deste percentual 17% estão dentro da faixa correta escolar que vai dos 18 a 24 anos. É sabido que o ideal para esta faixa etária seria de 30 a 35% dos matriculados, de acordo com países minimamente desenvolvidos, Chile por exemplo.
Saindo desses dados induzidores de pujança e desenvolvimento suspeito, tenho para mim que o porém do “veja bem!” entra nesta questão. Segundo o MEC-Ministério da Educação, gerenciado pelo candidato do PT a Prefeitura de São Paulo, o que é um absurdo, o Brasil dobrou nos últimos dez anos a sua matrícula em curso superior. Ocorre que percentualmente estamos no mesmo patamar, aliás a menor, que em 2001. Continuamos com os mesmos 3% de alunos universitários, do total da população, nos cursos de bacharelado.
Há que se considerar que nos números atuais do MEC sobre o curso superior estão incluídos os chamados cursos técnicos superiores, tecnólogos, uma invenção e inclusão para inflar dados estatísticos governamentais e caixas das Instituições, além de estimular os alunos com meios mais acessíveis à um diploma universitário. Seria até válido caso não fossem os cursos, em sua esmagadora maioria, meras fábricas de diplomas. Estão em franca ascensão os chamados cursos de longa distância, EAD, também inclusos nos números do MEC. Representam cerca de 14,6% do montante dos matriculados em curso superior.
Estes dados festivos politicamente para catapultar candidatura, mostram que é da iniciativa privada o grande avanço nas matrículas de cursos superiores. Dos 6,5 milhões de alunos do ensino superior no Brasil, apenas e tão somente 938,7 mil está em instituições públicas, o que mostra um desequilíbrio de política de gerenciamento nos investimentos do governo na formação profissional qualificada. O mais grave é que o governo procura suprir tal deficiência com abertura de novas universidades sem a mínima acuidade com a sua estrutura pedagógica. Até a parte da estrutura física encontra-se sem término. Para que a aberração da falta de cuidados com a educação brasileira não seja total escândalo, criou-se a figura do Prouni como forma de reduzir a incompetência e descaso com o ensino superior. É mais fácil delegar a terceiros a responsabilidade da educação.
O descaso é tão patente que até cursos nobres como o de medicina estão com graves acontecimentos na sua trajetória educacional. No Estado de São Paulo, o exame de avaliação dos formandos pelo Conselho Regional de Medicina, reprovou 46% dos participantes. Estes, formandos, mostraram deficiências de conhecimento em várias áreas tais como clínica médica (44% de erro), obstretícia (45% de erro), pediatria (41% de erro) além de erros graves no diagnóstico e desconhecimento de farmacologia. Salvo engano, até bem pouco tempo,a Universidade de Dourados/MS só continuou o curso graças a médicos voluntários que a acodiram. Onde está o Ministro e sua equipe que não avaliam tal situação.
A verdade é que os brasileiros permitem tudo. Permitem que o seu Ministro da Educação continue no cargo sendo candidato a Prefeito de São Paulo, onde hoje está sua maior preocupação e presença. Aceita a absurda e grotesca declaração do Ministro do Trabalho dizendo que só sai a bala e depois dizer que ama a presidente, tudo para permanecer no cargo. É na mão desses (des)qualificados que está o País. Só no Brasil.