Chegou a dar asco assistir as justificativas do ministro do Trabalho Carlos Lupi no Senado Federal. Nunca tinha presenciado alguém com tamanho cinismo querer contestar os fatos, o óbvio. O que valeu nessa audiência de exposição desavergonhada do Ministro foi a posição do Senador Pedro Taques (MT) ao abraçar a realidade e dizer que o seu partido tem que apear do ministério, “não temos mais condições de exercer esse ministério”. Ele e uns poucos formam uma ilha em um mar de lama e negociatas em que se transformou o Congresso nacional. Creio que esses poucos, cerca de 25% se for, deveriam começar um movimento de moralização interna da casa, do Congresso.
Em artigos anteriores já mencionei algumas causas que impulsionam os congressistas a transformar a instituição e ter relação promíscua com o governo, em algo “sine qua non” de sua sobrevivência política. Pelo menos para uma grande parte dos membros das duas casas do legislativo federal, extensivo as casas nos campos municipais e estaduais. A principal está no baixo grau educacional e de caráter da maioria dos postulantes a uma vaga no corpo político que se utilizam de métodos e armas pouco convencionais em termos éticos e morais. Outra, como conseqüência desta principal, está na necessidade de uso das mesmas armas e métodos pelos menos resistentes na busca de sucesso eleitoral. Onde está o cerne de tudo isso?
Tenho para mim que tudo está em quem dá o voto, o eleitor. Alvo de caça de todas as tribos partidárias seja lá quais forem os meios para obtê-los. O despreparo dos eleitores na compreensão do valor do voto e suas implicações na vida nacional é que permitem as tramas e abusos econômicos durante o processo eleitoral das candidaturas. A elite cultural e econômica brasileira, raras exceções, não participa do processo político eleitoral com candidaturas. Fica aos menos abastados, inclusive educacionalmente, a oportunidade de suprirem esse espaço.
Em razão do despreparo da população na sua visão do voto, a preocupação desta só se processa no período das eleições. Despida de conhecimento das ações de seus eleitos e postulantes e pouco interessada em saber, surge nesse campo fértil a germinação da semente do “tirar proveito”. A partir daí entranha-se no processo eleitoral os favores, pedidos e postulações além de mendigança de dinheiros aos candidatos. Em sua esmagadora maioria, estes detonam os pilares da ética, da moral e da legalidade no afã de serem os “escolhidos” pela população para representá-la nos legislativos municipais, estaduais e federais, incluso os cargos executivos.
Colabora com tudo isso a formação da maioria dos candidatos que são oriundos dessa massa populacional e que pouco procura se informar sobre os valores da política e sua função na vida da população. Esta, por sua vez, pelo seu pouco caso e pela sua falta de ação e exigência de qualidade na formação moral e ética dos candidatos, impulsiona os eleitos, durante o seu mandato, a buscarem por formação de caixa financeiro que irão dar sustentação ao seu prosseguimento na vida política. Sem dinheiro e diante das “exigências” do voto (eleitor) no período eleitoral, dificilmente prosseguirão. Raros são os que se projetam ou obtém sucesso desvinculado desse ritual amoral.
Enquanto o povo não entender o valor da política na sua vida, continuar como pedinte na utilização do voto como moeda de troca, o Congresso Nacional e casas legislativas e cargos executivos de governo, permanecerão sendo balcão de negócios que não se resume apenas em dinheiro, mas em favores e doações e até mais que isso, um verdadeiro banco de sangue do povo.
Esta colocação sobre o comportamento da população em relação a tudo que acontece no contexto político é tão patente quanto a sua participação nas marchas contra a corrupção. Vários órgãos da mídia nacional divulgaram sobre a marcha e a adesão foi baixíssima. Demonstra bem o interesse da população sobre o assunto corrupção que emperra e desmoraliza o Brasil pelo mundo todo. É esta permissividade que alimenta os ratos da Nação e encorpa o pântano de lama em que chafurda grande parte de nossos representantes políticos. Realidade dos fatos.