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Felizes casados, felizes separados
 
Data: 30/11/2011
 

 

por Maria Bonita

Familiares e amigos, ainda que tenham lá suas ressalvas, preferem não dar palpite no romance alheio. Quando vamos nos casar ninguém tem coragem de questionar nossa escolha. E mesmo que o façam, a paixão nos torna imunes para conselhos de quem quer que seja.

Apaixonados, dizemos ‘sim’ para leis desconhecidas que vão reger nosso presente e futuro; assinamos qualquer papel sem ler, desde que garanta que possamos ficar juntos para sempre.

 

É claro que não pensamos que a nossa diferença cultural, financeira ou religiosa possa interferir na vida a dois. E o que importa que nós nos conheçamos a menos de dois anos? A alta expectativa de viver um grande amor pode ser considerada como uma chance de separação no futuro?
 
Sim para todas as afirmações, segundo o holandês G. P. Hoefnagels, advogado e autor de “Felizes casados, felizes separados” (tradução livre de Gelukkig getrouwd, gelukkig gescheiden). Foi ele quem, nos anos 1970, introduziu na Holanda a mediação e a redução dos custos para se divorciar: ao invés de advogados separados, apenas um profissional para o casal.
 
Acabo de ler o livro e compartilho aqui minhas anotações, já que a leitura me ajudou a compreender o que estou vivendo. Uma rápida busca no google não trouxe traduções do livro para outros idiomas, imagino ter sido publicado apenas em holandês.
 
“Felizes casados, felizes separados” começa tratando das chances de um relacionamento não dar certo. Hoefnagels mostra que a separação poderia ter sido evitada caso o casal fosse bem orientado antes das bodas.
 
E embora o autor espere que um dia a mediação antes de contrair o matrimônio se torne tão comum como a mediação para o divórcio na Holanda, ele compreende que quem está com seu livro nas mãos já o faz tarde demais.
 
Sinais de separação
Ainda que o que ele escreva não seja novidade, o fato de trazer tudo sistematizado ajuda ao leitor a compreender o que está acontecendo na própria vida. Ao menos eu fui me reconhecendo em cada capítulo.
 
Hoefnagels escreve que a traição, a falta de cuidados com o outro ou a ausência são consequências do dano irrecuperável do matrimônio. As causas podem ser, por exemplo, o ‘crescimento’ acelerado de um dos parceiros, a emancipação da mulher ou o interesse anormal por outros homens ou mulheres.
 
A fase turbulenta
Quando a separação é inevitável, diz Hoefnagels, inicia-se uma fase de turbulência: insegurança sobre o futuro, medo do que vem pela frente, depressão, sentimento de vazio, de não querer fazer mais nada, de desgraça eminente.
 
Todos esses sentimentos, aliados à agressão, tristeza e solidão possuem natureza primária e espontânea, segundo o autor. Aparecem queixas somáticas, como insônia, palpitações, eczemas, dores de cabeça, no estômago, pressão alta. “Vive-se entre a esperança e o medo: esperança do amor do passado; medo do futuro incerto.
 
Felizes separados
Uma coisa é certa, diz ele: se um dos parceiros deseja a separação, o outro não pode impedi-lo (ao menos segundo as leis holandesas, há países em que isso é possível). A vantagem de se separar, segundo Hoefnagels: “Não precisar mais tentar entender o outro”.
 
O mais importante é se separar como se casa, ou seja, sentimentos precisam ser partilhados. “Se não há clareza sobre o motivo emocional da separação será difícil  se chegar a um acordo perante a lei.” Essa fase ainda terei de enfrentar. Me parece bem difícil.
 
Leia também : O "sim" da separação
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