Em “Felizes casados, felizes separados” não escrevi que havia ouvido falar pela primeira vez do método Hoefnagels no site
da advogada que havíamos escolhido para nos divorciar. É que ela segue o método desse holandês.
Optamos por uma mediadora por acreditarmos ser importante fechar essa fase da nossa vida da maneira mais civilizada e pacífica possível. Além disso tem a questão de custos: pagar dois advogados sai muito mais caro – e o honorário de apenas uma mediadora não é nada barato! E é nessas horas que a gente percebe que o casamento lavrado num cartório é prioritariamente uma união econômica.
Pelo que entendi, quando cada um tem seu próprio advogado, ambos vão à justiça para conseguir o melhor para o seu cliente. Essa ‘batalha’ pode durar muito tempo, consumir muito dinheiro e causar muitos desgastes emocionais.
Já a mediação familiar está baseada na resolução do conflito pelo próprio casal. A mediadora não emite opiniões, não toma partido, apenas ouve e auxilia o casal a chegar a um consenso para que ambas as partes saiam satisfeitas. O papel da mediadora é fazer perguntas para permitir que o casal reflita sobre suas escolhas. É claro, também resolve a parte burocrática e pensa em tudo o que costumamos nem saber sobre o que precisamos partilhar.
Na prática
No primeiro encontro, a mediadora sugeriu que contássemos, um de cada vez, a nossa história, desde o momento que nos conhecemos até a situação que nos levou à separação.
Me chamou a atenção que ambos contamos versões diferentes do que vivemos. Ouvi algumas coisas pela primeira vez, mesmo tendo convivido com Lampião por quase dez anos. O que deve ser comum, conviver não significa compartilhar todos os pensamentos. E se, por um lado, foi doloroso, por outro ficou muito mais fácil compreender a razão de estarmos ali, contando nossa história para uma ‘estranha’.
E então chegou a hora de usar a mesma palavrinha que nos uniu:
- Maria Bonita, tem certeza que quer se separar de Lampião?
- Sim!
- Lampião, tem certeza que quer se separar de Maria Bonita?
- Sim!
- Então vou explicar todos os procedimentos necessários!
Em três meses de negociações, estivemos com a mediadora duas vezes. Com as orientações dela, nos encontramos em lugares neutros para chegarmos a um consenso. Estamos quase lá. A próxima vez que nos encontrarmos no escritório da advogada-mediadora será para assinar o acordo do divórcio. Em seguida, ela encaminha os papéis para o juiz e então é esperar o veredito final. Não vejo a hora!
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