Josane Mary B. Amorim - Sou advogada por formação, mas longe dessa profissão, desde quando saí do Brasil [2000]. Estudei língua inglesa na Harvard University-USA, onde por 3 vezes consecutivas [2001/2002/2003] conquistei o primeiro prêmio no concurso literário "The Emanuel and Lilith Shinagel Essay Prize". Desde 2003, moro na Holanda – na pacata Wezep -, onde, junto com meu marido, administro nossos pequenos negócios. Estreio como romancista em "Mevrouw Jane" .
Constatação
Data:
04/05/2012
Ontem, deparei-me com duas situações que me fizeram enxergar uma outra face dos jovens holandeses.
A primeira situação aconteceu por volta das 17h, na estação de Amersfoort Schothout. Estava a caminho de Amsterdam, e como eu muito tinha para ler durante aquela viagem, sentei-me no vagão superior, naquele que especificamente informa, em todas as janelas, que o ‘silêncio’ é esperado e apreciado. Graças a tal silêncio, pude prosseguir algumas páginas até que chegamos a próxima estação, Amersfoort. Lamentavelmente, o cenário naquele vagão mudou quando um jovem casal entrou conversando; melhor dizendo, a moça falava/sussurrava. E falava/sussurrava. E falava/sussurrava. Eu a ouvi sem tirar os olhos da página que eu lia, concluindo que assim que as portas do trem se fechassem, ela se desse conta de que todos ali no vagão [presumi], esperavam que ela fechasse a boca. Tolo engano o meu! Cheguei a ter a impressão de que seu companheiro de viagem estava constrangido, mas ele nada indicou ou disse. Também parecia notório que o ‘sussurro’ daquela jovem ecoava tão alto como se estivesse falando em bom e alto som. Demorou alguns minutos para que eu perdesse a concentração no que lia. Os ‘sussurros’ da jovem estavam ensurdecedores. Pensei: “Será que é a idade, falta de desconfiômetro, ou os dois juntos?” Parecia também que os outros sentados próximos àquela jovem estavam fazendo das tripas coração para administrar aquela desagradável situação. Pensei: “Se eu tivesse mais paciência para oferecer, eu ofereceria.” Em consequência, dei um suspiro tão intenso, alto e cheio de indignação que aquela jovem imediatamente, revirou-se, olhou-me, vestiu a carapuça e calou a aquela linda boca, permitindo que a viagem prosseguisse em silêncio, como previsto para aqueles que tinham escolhido sentar-se naquele vagão.
A segunda situação aconteceu por volta das 22h, no trajeto de volta, também na estação de Amersfoort. Como fumante, aprecio enormemente que aquela estação [assim como tantas outras] tenha um espaço reservado para que os que fumam. E como o Sprinter que eu esperava estava ultra atrasado, isso me permitiu tempo para não somente fumar um cigarro, mas depois dele reparar que havia um grupo de jovens sentados num dos muitos bancos, papeando e fumando [onde não era permitido]. Interessei-me por aquele grupo e senti vontade de certificar-me se estavam rebelando-se contra as normas, no que eu não veria nenhum problema. Assim, aproximei-me, sorri, sentei-me próximo a eles, apresentei-me informando que era escritora e o motivo de meu interesse. Eles me receberam com certa simpatia. À pergunta de não estarem fumando onde era permitido, uma das jovens me respondeu que não intencionava rebelar-se, somente fumar enquanto sentada, ‘gezellig’. Concordei com ela, pois o local reservado aos fumantes é desprovido de assentos. Um outro jovem, muito provavelmente na casa dos 18, estufou os peitos, aproximou-se entre risos [parecia um lindo galinho de briga, e de terno!], e me informou: “Nós, os holandeses, somos rebeldes de final de semana. Por exemplo, eu e meus amigos ficamos loucos durante o final de semana: fumamos baseadinhos, bebemos muito, farreamos, fazemos coisas loucas... É ser jovem, é isso! É a rebeldia nos finais de semana. Mas agora, não estou interessado em saber se é permitido ou não fumar aqui, fumo e acabou. A vida é para ser curtida! Alegria, alegria, o tempo todo!” Sorri para aquele jovem, para a sua admirável espontaneidade e terminei meu dedo de prosa fazendo uma sugestão: “Quando puder, visite o Brasil!” E ele finalizou dizendo: “É, o povo lá vive de verdade!”
Grande abraço e até a próxima!
Sobre o Livro:
"Romance de estreia, mas dá a ilusão de ser obra de autora experiente, pelas qualidades que apresenta. Trata-se de um romance intimista - centralizado basicamente em problemas familiares -, que certamente agradará ao leitor desde as primeiras linhas. E ficará encantado com o final surpreendente. É ler para ver." (José Augusto Carvalho - Mestre em Linguística pela Unicamp, e Doutor em Letras pela USP)
O romance Mevrouw Jane é um testemunho de mim mesma! Meu objetivo era não somente escrever sobre as dificuldades ou os problemas, que passei a vivenciar a partir do momento que vim morar na Holanda. Mas sobre o processo e a efetiva superação deles! Por exemplo:
1) os conflitos na educação de filhastros,
2) a terapia de casal,
3)Borderline Personality Disorder,
4) solidão pela morte de minha família, perdado bebê,
5) assim como as minhas conquistas na Harvard University.Queria escrever um livro que tivesse algo para oferecer àqueles que se encontram na mesma situação que eu.
Eu me transportei para o futuro e escrevi sobre o meu passado. Muitas das memórias que relata para Sofia, são as minhas. São as vitórias ou os problemas que enfrentei ou ainda enfrento. Muitos deles, já praticamente superados, por exemplo: eu e a BPD. Brinquei de imaginar como serei aos 70 anos (tenho 48). Por essa razão, o livro não poderia ser auto biográfico. Ele é ficção com base em fatos reais.
Eu queria escrever um livro onde o bem truinfasse no final da história. E contar sobre a maturidade e candura dos 70 anos de vida de uma personagem como Mevrouw Jane . Eu me autopubliquei pelas editoras Scortecci [versão impressa ISBN:978-85-366-2207-1], e Simplíssimo [versão e-book ISBN: 978-85-63654-38-0].
Em agosto último, Mevrouw Jane foi lançado no Brasil. Eu não poderia estar mais feliz! Sinto-me renovada pelo carinho com que ele tem sido recebido, tanto pela crítica e pelos leitores. "Mevrouw Jane" está disponível nas Livrarias:
No BRASIL:
Saraiva, Cultura [São Paulo e Rio de Janeiro], Logos [Vitória],Torre de Papel [Vitória], Ouvidor [Belo Horizonte] e Status Café e Cultura [Belo Horizonte], Fontoura Almeira [Guarapari].
Na EUROPA: Varal do Brasil [Genebra], Orfeu [Bruxelas]
Para adquirir o romance aqui na Holanda, favor enviar email para: josaneamorim@gmail.com
Ana Rosa -
16/08/2012
Ola, Josane!! Estou indo p Alemanha e holanda em setembro e gostaria de uma ajuda. Estou indo de Berlin p Amsterdam de trem. Entretanto a passagem q vi pela Bahn tem uma conexão em amersfoort. Temos 9 minutos p trocar de trem!!! VC que conhece essa estação, vc acha q é possível fazer essa troca assim rápido? A estação e grande ou complicada? Abs, Ana Rosa
Berenice -
04/05/2012
Josane,curto de montão o site,pois sou apaixonada pela Holanda,tenho um filha que mora aí tb formada em direito,e lendo sobre vc me deparei com uma grande coicidencia moro na sua cidade natal.Não sou capixaba,mas vivo aqui já algum tempo.Desejo muito sucesso pra vc e sua familia.Abraços
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