O Censo Escolar de 2011 divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – Inep mostra a radiografia do Brasil na área da Educação. Para quem dá um passo, o avanço constituiu em algo. Para quem dá um passo diante dos milhares que terá que dar, é nada. É dar um grão de arroz a quem está faminto como é o caso do Brasil no campo educacional. Os números dizem que cerca de 51 milhões de alunos são servidos por aproximadamente dois milhões de professores e por volta de 200 mil escolas espalhadas por esse País. Seriam se outros componentes não fizessem parte dessa matemática.
Essa proporção alunos/professores é ilusória. Até mesmo o número de alunos podem não representar a realidade. Pela forte ação política no setor público, milhares de pessoas são contratadas para o exercício da profissão de ensinar, mesmo sem o devido diploma e até mesmo o mínimo preparo. Os chamados concursos são de fachada como provou o noticiário televisivo há poucos dias. A maioria não exerce a função em sala de aula. Estão distribuídos em atividades administrativas e outra considerável parte está a disposição de algum gabinete ou mesmo no conforto de seu lares, menos em sala de aula. Por outro lado os prefeitos inflam os números das informações enviadas ao sistema administrativo educacional federal como forma de obtenção de maiores recursos a sua administração. Esse fato ocorre até hoje e não há como evita-lo. Caso descoberto, os alcaides municipais fazem as devidas correções acompanhadas das justificativas e fica tudo bem.
Tudo isso poderia ser evitado e os recursos melhor aproveitados caso a gerência do mais importante setor de uma Nação, que é a educação, tivesse a sua responsabilidade focada em um comando único federal. Esta administração desvinculada da estrutura de governo e sem a sua ingerência política e administrativa, sob o cargo de colegiado eleito e representante de cada colegiado de estado da federação. Podemos até dizer, um Supremo Colegiado Educacional Federal, com orçamento próprio e único a emanar a política educacional do Brasil. Educação é questão de segurança nacional, que está entregue a milhares de administradores que mal entendem do processo de educar e com dificuldades em assinar o próprio nome. O governo federal, com base em motivos políticos, pouco participa no quadro escolar e transferiu tamanha responsabilidade para estados e prefeituras.
Essa política nos leva a clarividência de que a maior preocupação não é com o ensinar e fazer aprender. A tônica do governo federal é a busca por números para justificar ações de mídia, de realização de governo aos olhos dos eleitores. A consequência desse emprego da educação para obtenção de resultado eleitoral, seja nos níveis federal, estadual e municipal, deixa o ensino fora de contexto vivencial, em outras palavras, em conflito entre a vida fora e dentro da escola. Não existe integração e o modo “vivendis” do aluno e a sua sala de aula onde permanece por um terço de seu tempo diário ou até mais. A velocidade da vida fora da escola não é compatível com a morosidade e o marasmo dentro de sala. É esta mobilidade paquidérmica que incita ao abandono e a evasão escolar.
O erro vem deste os primeiros contatos em sala de aula. As escolas brasileiras não ensinam aos alunos o valor da educação para a vida de cada um. Não é demonstrado a nenhum deles a razão do processo educacional e o seu valor. Cada aluno tem a escola como algo obrigatório e desde cedo já lhe é induzida essa obrigação, via fala dos pais ou do exemplo do irmão mais idoso. Qual a grande diferença nestas ações familiares ao longo dos anos? Quase nenhuma. Qual a grande diferença do ensinar nas escolas nos últimos 60 anos? Muito pouco foi pensado e realizado.
Na verdade, tenho para mim, as escolas de ensino infantil e fundamental passaram a ser uma espécie de depositário de crianças ante a incapacidade de ensinar com qualidade e a incompetência do governo em promover inovação à educação brasileira. A permanecer da forma que está, pouco vai se alterar na vida do Brasil, agora e sempre. Por isso se faz urgente uma guinada no ensino brasileiro. Tudo pela Educação.