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Compras na Shein, Temu e AliExpress ficam mais caras: nova taxa de € 2 por tipo de produto
Quem faz compras em lojas on-line de fora da União Europeia, como Shein, Temu e AliExpress, está pagando mais desde 1º de novembro de 2026. A partir dessa data, passou a valer uma nova taxa europeia de manuseio aduaneiro (afhandelingsvergoeding) de € 2 por tipo de produto em encomendas vindas de fora da UE. A taxa se soma ao imposto de importação de € 3 por tipo de produto que já vale desde 1º de julho de 2026.
Como funciona a nova taxa
Segundo o governo holandês, a taxa de € 2 é uma medida europeia, aprovada por todos os países-membros, e serve para cobrir os custos extras da alfândega com a fiscalização das milhões de pequenas encomendas que chegam todos os dias. Oficialmente, quem paga é a empresa que faz a declaração aduaneira, mas essas empresas podem repassar o custo para o consumidor, e na prática é isso que costuma acontecer.
O ponto mais importante é que a taxa é cobrada por tipo de produto, e não por pacote. Cinco camisetas iguais contam como um tipo de produto. Uma camiseta e um relógio contam como dois. Ou seja: quanto mais variada a sua encomenda, mais você paga.
Quanto fica mais caro
Sobre o imposto de € 3 e a taxa de € 2 ainda incide o IVA holandês (btw) de 21%. Segundo um levantamento do site holandês Welingelichte Kringen, os valores extras, já com IVA, ficam assim:
- 1 tipo de produto: € 3,63 até outubro; € 6,05 a partir de novembro
- 3 tipos de produto: € 10,89 até outubro; € 18,15 a partir de novembro
- 5 tipos de produto: € 18,15 até outubro; € 30,25 a partir de novembro
Esses valores vêm além do preço do produto e do frete. Um exemplo dado pelo mesmo site: um cabo USB de € 4,95, com € 3,80 de frete, saía por € 10,59 no início do ano e agora sai por € 16,64. Dividir a compra em vários pedidos não ajuda: cinco cabos em cinco pedidos separados também pagam cinco vezes.
O imposto de € 3 vale para encomendas de até € 150 e é temporário: segundo as informações disponíveis, ele vai até 1º de julho de 2028. Já a taxa de € 2 é cobrada independentemente do valor da encomenda. Uma jaqueta de € 180 comprada da China, por exemplo, paga os impostos de importação normais e o IVA, e ainda os € 2 da nova taxa (€ 2,42 com IVA).
Cuidado com devoluções e custos extras
Há alguns pontos de atenção para quem compra com frequência fora da Europa:
- Devolução: a taxa de € 2 não é devolvida se você mandar o produto de volta.
- Transportadoras: empresas de entrega podem cobrar seus próprios custos de desembaraço aduaneiro, além da taxa.
- Preço final: confira no carrinho se as taxas já estão incluídas no preço ou se serão cobradas na entrega.
A Consumentenbond, a principal associação de defesa do consumidor da Holanda, defende que o custo deveria ficar com o importador, e não com o comprador.
E as encomendas do Brasil?
As novas regras valem para compras on-line vindas de fora da UE. Em princípio, isso significa que compras feitas em lojas on-line brasileiras e enviadas para a Holanda também podem ser afetadas. As regras para presentes enviados por familiares (encomendas entre pessoas físicas, sem venda) são diferentes. Em caso de dúvida, consulte o site da alfândega holandesa (Douane) antes de pedir que alguém envie um pacote do Brasil.
Menos pacotes vindo de fora
As medidas já estão tendo efeito. Segundo o secretário de Estado holandês responsável, o número de encomendas de fora da UE caiu 75% em agosto de 2026 em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Com Sinterklaas, Black Friday e Natal chegando, vale a pena comparar preços: em muitos casos, comprar em uma loja europeia pode sair mais barato do que parece.
Fontes: Rijksoverheid, Taxlive e Welingelichte Kringen.
