No supermercado - 2
Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Dizem também que o raio não cai do céu, mas sai da terra. O que não é de se estranhar, aliás. Afinal, nada cai do céu na vida da gente, né?
Mas o que eu ia contar hoje, mesmo? Ah, já sei! Aconteceu de novo. É. No supermercado. Fazer o quê? Rir, claro!
Depois que eu dominei a balança, que só libera o preço depois que você aperta a tecla “bon”, fiquei toda prosa. Mas foi por pouco tempo...
Imaginem vocês que, no supermercado ao qual eu costumo ir, agora se pode encontrar suco de laranja natural, espremido na hora. Uma beleza! Eu me senti no Rio, no Hortifruti! Só que com um detalhe: as instruções, na máquina, eram incompreensíveis para mim. Tudo o que eu sabia era que precisava de uma etiqueta, embora o preço já estivesse pré-fixado. OK, mas... onde eu conseguiria a etiqueta?
Bom, como era novidade, pensei que bastava ir ao caixa, que a moça já incluiria o preço na conta. Pensando... Bom, vocês sabem, né?
Como eu queria fazer uma salada de frutas, comprei também uma laranja. Afinal, nada como uma saladinha de frutas e um suco de laranja para alegrar o dia! A laranja, sim, tinha etiqueta. Maravilha! Coloquei matéria-prima e produto final no carrinho e fui, toda faceira, ao caixa, pagar.
Chegando lá eu me dei conta do desastre: a etiqueta tinha saído da laranja e ido parar direto na garrafa do suco! Enquanto a moça na minha frente pagava, eu tentei tirar a etiqueta, disfarçadamente, para colar na fruta. E a danada saía?
Chegou a minha vez, no caixa. A menina pegou a laranja sem etiqueta, a garrafa etiquetada com o preço errado e começou a falar. E falava, e falava... Todo mundo olhava... E eu? Bem, eu não entendia nada, na verdade. E queria explicar para ela o que tinha acontecido, mas como? Ataquei aquele holandês macarrônico: spreekt u engels? (fala inglês?), com esperanças de que tudo pudesse ser esclarecido a partir dali. E ela: Nee, maar... (não, mas...) e continuou.
Totalmente arrasada, esperei que ela terminasse e paguei. Paguei a conta do supermercado, porque o mico já estava pago, àquelas alturas.
Ainda bem que na Holanda não tem mico. Imagina o dinheirão que eu ia ter de desembolsar... Hehehe
Um abraço e até a próxima!
P.S. Em tempo: adivinhem onde eu conseguiria a etiqueta? Na balança, claro!
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